Liberdade

Em vez de lágrimas derramarem-se,
injustiça e raiva jorravam pelos cortes abertos e profundos.
Acabara de encontrar-me com a árvore espinhosa e o seu dominador.
Não sabia ao certo o que havia feito…
Não respondera ao meu dominador,
Tinha certeza que era meu corpo que deixou o dominador enfurecido.
Minha pele tão escura quanto a noite.
Esse era meu pecado.
As trevas caíram novamente sobre a terra.
Levantei-me e fui ao rio limpar a fonte de minha mágoa e injustiça.
O rio tão frio quanto a alma do cavaleiro,
penetrava dentro dos meus cortes
a ardência mantinha a chama de justiça acesa.
Em meio as trevas que conhecia tão bem quanto minha própria palma
planejava minha liberdade.
Antes mesmo de o sol espreguiçar-se atrás das colinas
ou dos galos entoarem seu cântico anunciando um novo dia,
encontrava-me no meio de café, colhendo-os.
Olhava em minha volta,
traçava minha rota de fuga.

Hoje à noite.
Hoje seria a noite!
Ah! Hoje à noite, todo o sofrimento chegaria ao fim.
Eu e meus irmãos seremos libertos.
AH! HOJE À NOITE!
Anseio que as trevas caiam novamente sobre a terra.
Não sinto os açoites,
não escuto os gritos,
minha boca seca não incomoda,
os desgastes de minha sola não perturbam,
somente a ardência dos meus cortes me lembram
e anseio mais.

As trevas finalmente encontraram-se com o solo seco da terra.
Esperei que somente escutasse os grilos cantarem.
Peguei uma das varetas tão dolorosas e despejei um dos presentes dos deuses.
Um presente tão quente, tão ardente.
Uma chama irmã de minha chama
a mesma chama que corre pelos meus cortes
e bombeia em meu coração
Oh! Chama vermelha!
Oh! Chama da liberdade!
Tracei um caminho cuidadoso
com passos de penas
à casa do meu dominador.
Com aquela chama
distribui pelo terreno de flores.
A chama consumia com tanta raiva
podia ver o mesmo olhar que via nos olhos de meu dominador.
Logo toda a casa estava consumida
e a chama não casada espalhou-se.
Chamei meus irmãos,
peguei as crianças.
Corremos as matas,
lá estava nossa liberdade!
Um homem.
Um homem chamado Zumbi Dos Palmares.

Rafaela Bertoloni do 2º EM B.